Habilidades sociais são comportamentos que ocorrem dentro das relações interpessoais e têm como finalidade comunicar com precisão emoções, sentimentos, opiniões, atitudes, direitos e necessidades pessoais. Tais comportamentos são sancionados culturalmente com normas e códigos sociais. As habilidades sociais abrangem comportamentos verbais e não-verbais (como ex: o reconhecimento de emoções em faces).
A competência quanto às habilidades sociais é avaliada pela capacidade de emitir comportamentos adequados a cada contexto social específico.
"A competência social é um atributo avaliativo de desempenho social, baseado na funcionalidade e na coerência com os pensamentos e sentimentos do indivíduo. Deve-se considerar que, em muitos casos, a pessoa possui as habilidades em seu repertório, mas não as utiliza em determinadas situações por diversas razões, entre as quais estão: ansiedade, crenças errôneas e dificuldade de leitura dos sinais do ambiente." (Del Prette e Del Prette, 2001 apud Roca, Polisel, Mattos e Silva, 2010; p.184)
Existem reações sociais não habilidosas. Estas podem ser classificadas como passivas ou ativas.
As relações sociais não habilidosas passivas são comportamentos tais como: mágoa, ressentimento, ansiedade e/ou esquiva ou fuga das demandas interpessoais ao invés do enfrentamento.
Já as relações sociais não habilidosas ativas configuram-se em: comportamentos agressivos (físicos ou verbais), negativismo, irônias, autoritarismo e comportamentos coercitivos.
Como comportamentos socialmente competentes temos como exemplo a assertividade, que nada mais é que o exercício de defesa dos próprios direitos sem, com isso, ferir os direitos alheios e com controle da ansiedade.
"Pressupõe-se que pessoas hábeis socialmente apresentam relações pessoais e profissionais mais produtivas, satisfatórias e duradouras. Em contrapartida, os déficits e comprometimentos dessas habilidades geralmente se associam a dificuldades e conflitos nas relações interpessoais, a uma pior qualidade de vida e a diversos tipos de transtornos psicológicos, tais como: timidez, isolamento social, delinquência infantil, desajustamento escolar, suicídio e problemas conjugais. (Del Prette e Del Prette, 2001, apud Roca, Polisel, Mattos e Silva, 2010; p.184)
As habilidades sociais começam a se desenvolver na infância e vão sendo aprimoradas ao longo da vida com as demandas relacionais que aparecem na família, na sociedade e na vida ocupacional.
Quando as crianças assimilam normas, valores e expectativas do seu ambiente vão se tornando mais competentes socialmente.
"Para que os pais promovam comportamentos adequados em seus filhos, eles também precisam emitir comportamentos adequados e demonstrar assertividade ao invés de agressividade." (Silva, 2000 apud Roca, Polisel, Mattos e Silva, 2010; p.186)
Para ajudar no desenvolvimento de habilidades sociais, os estudos e pesquisas sugerem que os pais adotem determinadas posturas em relação a seus filhos, a saber:
- Dialogar com as crianças, ajudaria a transmitir padrões, valores e normas de comportamento cultural.
- Expressar sentimentos de agrado e desagrado em relação ao comportamento do filho, auxiliaria na discriminação entre comportamentos adequados e inadequados.
- Não agir de forma punitiva, pois isto geraria medo, ansiedade, culpa e doenças psicossomáticas.
- Cumprir as promessas feitas aos filhos, pois isto gera confiança no relacionamento.
- Estabelecer limites, regras e dizer "não" para pedidos que não estejam de acordo com as possibilidades dos pais.
- Os pais devem se desculpar com os filhos quando estão errados, isto os ensinaria que também podem errar e admitir seus erros.
Existem programas de treinamento em habilidades sociais que visam a melhorar o desempenho social das pessoas, melhorando sua adaptação ao meio.
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 17 - Reconhecimento de emoções.
Atendimento Psicológico - em Botafogo
Contato: jessicacalderon.psi@gmail.com
Jéssica Calderon - CRP: 05/39344
A gente cresce na relação com o outro.
terça-feira, abril 05, 2011
domingo, abril 03, 2011
Teoria da Mente
O termo "teoria da mente" foi adotado pela Psicologia do Desenvolvimento para descrever o desenvolvimento mental que ocorre na infância e na adolescência.
Hoje esse conceito é usado tanto pela Psicologia do Desenvolvimento, como pela Psicologia Cognitiva e Psicologia Evolucionista. Cada uma dessas áreas aborda o termo de forma diferente.
A importância da Teoria da Mente reside no fato deste termo tratar de aspectos importantes do comportamento social humano. É através deste recurso cognitivo que o homem pode reconhecer e interpretar expressões como ironia, metáfora, dissimulação, sofrimento, interesse e falsidade. É através da teoria da mente que podemos prever que idéias o outro pode estar formulando a nosso respeito, podemos antecipar eventos e tomar decisões cruciais em nosso meio social.
A Psicologia do Desenvolvimento fala da origem desta habilidade em crianças. Propõe que a teoria da mente, assim como a maturação de outras funções cerebrais, ocorre numa sequência de aquisições. Primeiro a criança é capaz de perceber a si mesma (+/- aos 12 meses), depois percebe o outro (por ex: a mãe) e, por fim, perceberia o objeto (atenção compartilhada). Após esse período, a criança desenvolveria habilidades mais complexas: distinção entre eventos reais e hipotéticos, perceber seu reflexo no espelho e distinguir falsas crenças (crença que não é congruente com a realidade por contar apenas com informações que foram percebidas parcialmente em uma situação específica).
A Psicologia Cognitiva explica a Teoria da Mente através do modelo de Baron-Cohen (1996). Esse modelo postula que existem 4 módulos cerebrais que interagem e produzem o sistema de "leitura mental" do ser humano.
- Módulo da intencionalidade: O indivíduo interpreta um estímulo a partir de seu desejo ou de sua meta.
- Módulo da direção do olhar: O indivíduo tem a capacidade de perceber o olhar do outro sobre si. E também tem a capacidade de inferir se olhar do outro está realmente vendo ou não a mesma coisa que ele vê.
- Módulo da atenção compartilhada: Capacidade que o sujeito tem de formar relações entre ele próprio, outras pessoas e os objetos percebidos.
- Módulo da teoria da mente: Capaz de integrar percepção, desejo, intenção e crenças a fim de dar origem a uma construção teórica coerente que possa ajudá-lo a compreender o comportamento do outro e modular sua ação.
A Psicologia Evolucionista estuda a representação cerebral da teoria da mente. Começa seus estudos com chimpanzés e aos poucos chega a formulações teóricas a respeito do funcionamento cerebral humano.
A representação cerebral da teoria da mente:
A rede neural envolvida na Teoria da Mente é bastante ampla. Três áreas cruciais estão relacionadas: o lobo temporal, o córtex parietal inferior e o lobo frontal.
Estudos têm sugerido a participação de neurônios-espelho nesse funcionamento cognitivo. Esse é um tipo específico de neurônios capazes de "imitar" internamente uma ação observada do mundo externo. Ou seja, é responsável por espelhar inconscientemente ações motoras de outras pessoas (ressonância empática).
"Os neurônios-espelho foram relacionados a várias modalidades de comportamento humano, como a capacidade de imitar, aprender novas habilidades, compreender a intenção de outros humanos e com a Teoria da Mente, sendo que a sua disfunção poderia estar envolvida com a gênese do autismo." (p.179)
Alguns testes utilizados para investigar o funcionamento da teoria da mente:
- Teste Sally-Anne
- Histórias com o uso de blefes, erros ou persuasão, através de material visual, para investigar a capacidade de inferir o estado mental de si e do outro.
- Testes para avaliar a capacidade de compreensão da intencionalidade por trás da fala direta, metáfora e ironia, para avaliar os diferentes níveis de intencionalidade.
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 16 - Reconhecimento de emoções.
Atendimento Psicológico - em Botafogo
Contato: jessicacalderon.psi@gmail.com
Jéssica Calderon - CRP: 05/39344
Hoje esse conceito é usado tanto pela Psicologia do Desenvolvimento, como pela Psicologia Cognitiva e Psicologia Evolucionista. Cada uma dessas áreas aborda o termo de forma diferente.
A importância da Teoria da Mente reside no fato deste termo tratar de aspectos importantes do comportamento social humano. É através deste recurso cognitivo que o homem pode reconhecer e interpretar expressões como ironia, metáfora, dissimulação, sofrimento, interesse e falsidade. É através da teoria da mente que podemos prever que idéias o outro pode estar formulando a nosso respeito, podemos antecipar eventos e tomar decisões cruciais em nosso meio social.
A Psicologia do Desenvolvimento fala da origem desta habilidade em crianças. Propõe que a teoria da mente, assim como a maturação de outras funções cerebrais, ocorre numa sequência de aquisições. Primeiro a criança é capaz de perceber a si mesma (+/- aos 12 meses), depois percebe o outro (por ex: a mãe) e, por fim, perceberia o objeto (atenção compartilhada). Após esse período, a criança desenvolveria habilidades mais complexas: distinção entre eventos reais e hipotéticos, perceber seu reflexo no espelho e distinguir falsas crenças (crença que não é congruente com a realidade por contar apenas com informações que foram percebidas parcialmente em uma situação específica).
A Psicologia Cognitiva explica a Teoria da Mente através do modelo de Baron-Cohen (1996). Esse modelo postula que existem 4 módulos cerebrais que interagem e produzem o sistema de "leitura mental" do ser humano.
- Módulo da intencionalidade: O indivíduo interpreta um estímulo a partir de seu desejo ou de sua meta.
- Módulo da direção do olhar: O indivíduo tem a capacidade de perceber o olhar do outro sobre si. E também tem a capacidade de inferir se olhar do outro está realmente vendo ou não a mesma coisa que ele vê.
- Módulo da atenção compartilhada: Capacidade que o sujeito tem de formar relações entre ele próprio, outras pessoas e os objetos percebidos.
- Módulo da teoria da mente: Capaz de integrar percepção, desejo, intenção e crenças a fim de dar origem a uma construção teórica coerente que possa ajudá-lo a compreender o comportamento do outro e modular sua ação.
A Psicologia Evolucionista estuda a representação cerebral da teoria da mente. Começa seus estudos com chimpanzés e aos poucos chega a formulações teóricas a respeito do funcionamento cerebral humano.
A representação cerebral da teoria da mente:
A rede neural envolvida na Teoria da Mente é bastante ampla. Três áreas cruciais estão relacionadas: o lobo temporal, o córtex parietal inferior e o lobo frontal.
Estudos têm sugerido a participação de neurônios-espelho nesse funcionamento cognitivo. Esse é um tipo específico de neurônios capazes de "imitar" internamente uma ação observada do mundo externo. Ou seja, é responsável por espelhar inconscientemente ações motoras de outras pessoas (ressonância empática).
"Os neurônios-espelho foram relacionados a várias modalidades de comportamento humano, como a capacidade de imitar, aprender novas habilidades, compreender a intenção de outros humanos e com a Teoria da Mente, sendo que a sua disfunção poderia estar envolvida com a gênese do autismo." (p.179)
Alguns testes utilizados para investigar o funcionamento da teoria da mente:
- Teste Sally-Anne
- Histórias com o uso de blefes, erros ou persuasão, através de material visual, para investigar a capacidade de inferir o estado mental de si e do outro.
- Testes para avaliar a capacidade de compreensão da intencionalidade por trás da fala direta, metáfora e ironia, para avaliar os diferentes níveis de intencionalidade.
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 16 - Reconhecimento de emoções.
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sexta-feira, abril 01, 2011
Reconhecimento de Emoções
Perceber uma face e atribuir-lhe um estado emocional coerente são duas capacidades distintas, com estruturas cerebrais e circuitos neurobiológicos diferentes.
Estudos de neuroimagem sugerem que regiões do córtex inferotemporal e o temporal inferior são responsáveis pela percepção e reconhecimento de faces. Lesão nessas regiões leva a uma incapacidade de reconhecer rostos familiares e famosos - prosopagnosia. Esse sintoma é muito comum em pacientes com demência avançada, onde não reconhecem mais sequer os familiares mais chegados.
A habilidade para perceber e expressar emoções depende de um sistema de distribuição neural, formado pelo sistema límbico, principalmente pela amígdala, pelo hipotálamo e pelo sistema dopaminérgico, além de áreas como giro occipital inferior, giro fusiforme, gânglios da base, córtex parietal direito e o giro temporal inferior.
Independente das diferenças culturais, as expressões faciais são universalmente reconhecidas. Expressões de felicidade, tristeza, raiva, medo, repulsa, surpresa e contemplação podem ser reconhecidas em pessoas de diferentes partes do mundo, mesmo na ausência de palavras. Essas expressões são ditas emoções universais.
Mas, além das emoções universais, exitem também as emoções sociais, como: culpa, vergonha, arrogância e admiração; estas dependem de cada cultura.
Estudos revelam que emoções diferentes são processadas em áreas distintas do cérebro. Por exemplo, há indicativos que o medo é processado na amígdala, enquanto que o nojo nos gânglios basais. Acredita-se também que o hemisfério cerebral direito esteja relacionado às emoções negativas, como: tristeza, medo e raiva. Enquanto que, emoções positivas de alegria, felicidade e surpresa, seriam processada no lado esquerdo do cérebro.
"A habilidade social é algo complexo, que parece se desenvolver a partir de fatores presentes desde o nascimento. A capacidade de reconhecer faces e expressões emocionais tem valor adaptativo, sendo que a correta 'leitura' das emoções no contexto social fornece pistas sobre as condições presentes e, assim, indica as direções que o comportamento de um indivíduo deve seguir, a fim de ser socialmente apropriado." (p.172)
"A capacidade de produzir e reconhecer expressões faciais é um componente importante da comunicação interpessoal, sendo essas expressões usadas em particular para transmitir um estado emocional." (p.174)
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 15 - Reconhecimento de emoções.
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Contato: jessicacalderon.psi@gmail.com
Jéssica Calderon - CRP: 05/39344
Estudos de neuroimagem sugerem que regiões do córtex inferotemporal e o temporal inferior são responsáveis pela percepção e reconhecimento de faces. Lesão nessas regiões leva a uma incapacidade de reconhecer rostos familiares e famosos - prosopagnosia. Esse sintoma é muito comum em pacientes com demência avançada, onde não reconhecem mais sequer os familiares mais chegados.
A habilidade para perceber e expressar emoções depende de um sistema de distribuição neural, formado pelo sistema límbico, principalmente pela amígdala, pelo hipotálamo e pelo sistema dopaminérgico, além de áreas como giro occipital inferior, giro fusiforme, gânglios da base, córtex parietal direito e o giro temporal inferior.
Independente das diferenças culturais, as expressões faciais são universalmente reconhecidas. Expressões de felicidade, tristeza, raiva, medo, repulsa, surpresa e contemplação podem ser reconhecidas em pessoas de diferentes partes do mundo, mesmo na ausência de palavras. Essas expressões são ditas emoções universais.
Mas, além das emoções universais, exitem também as emoções sociais, como: culpa, vergonha, arrogância e admiração; estas dependem de cada cultura.
Estudos revelam que emoções diferentes são processadas em áreas distintas do cérebro. Por exemplo, há indicativos que o medo é processado na amígdala, enquanto que o nojo nos gânglios basais. Acredita-se também que o hemisfério cerebral direito esteja relacionado às emoções negativas, como: tristeza, medo e raiva. Enquanto que, emoções positivas de alegria, felicidade e surpresa, seriam processada no lado esquerdo do cérebro.
"A habilidade social é algo complexo, que parece se desenvolver a partir de fatores presentes desde o nascimento. A capacidade de reconhecer faces e expressões emocionais tem valor adaptativo, sendo que a correta 'leitura' das emoções no contexto social fornece pistas sobre as condições presentes e, assim, indica as direções que o comportamento de um indivíduo deve seguir, a fim de ser socialmente apropriado." (p.172)
"A capacidade de produzir e reconhecer expressões faciais é um componente importante da comunicação interpessoal, sendo essas expressões usadas em particular para transmitir um estado emocional." (p.174)
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 15 - Reconhecimento de emoções.
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quinta-feira, março 31, 2011
Cognição Social
A neuropsicologia é dividida em duas áreas hierarquicamente organizadas: neurocognição (também denominada cognição básica) e cognição social.
Neurocognição: Aplica-se às funções cognitivas básicas (atenção, memória, funções executivas). Estuda cada uma dessas funções individualmente porque elas utilizam sistemas de processamento semi-independentes.
Já a Cognição Social: Aplica-se ao estudo da adequação do comportamento ao ambiente. Refere-se, portanto, à habilidade de identificação, manipulação e adequação do comportamento de acordo com informações socialmente relevantes detectadas e processadas em determinado contexto ambiental. Em poucas palavras, a cognição social modula o comportamento.
O saber acerca da cognição social foi sendo construída a partir de estudos com animais, destacando-se os experimentos relacionados à competição por comida, estratégias de proteção e respostas adaptativas ao meio.
Os comportamentos mais complexos foram sendo desenvolvidos na espécie humana a medida que o grau de exigência de resposta ao meio foi aumentando.
Comportamentos humanos de cooperação e altruísmo foram fatores cruciais para a convivência em grupo. (Adolphs, 2001; Emery e Clayton, 2009; apud Monteiro e Neto, 2010)
Alguns quadros clínicos caracterizam-se por uma maior disfunção social, por em certo déficit nisto que chamamos, cognição social. É o que observamos, por exemplo, em casos de esquizofrenia, autismo, transtorno bipolar, psicopatia, entre outros. É importante compreender os mecanismos envolvidos nessa "falha do funcionamento social", pois é a partir da compreensão desses déficits cognitivos que podemos pensar em estratégias terapêuticas que beneficiem o paciente em sua interação com o meio.
Algumas diferenças são traçadas entre neurocognição e cognição social em termos de dos estímulos utilizados em pesquisas, o tipo de resposta esperada do sujeito e a forma de avaliação deste. Porém, o que me parece de crucial importância nessa diferenciação, é saber que, numa avaliação de aspectos como memória, resposta executiva ou atenção, por exemplo, esperamos uma resposta precisa e mensurável (neurocognição); já nos estudos de cognição social, é possível apenas verificar diferenças entre os sujeitos, apreender aspectos de sua personalidade. Numa avaliação de desempenho da cognição social não há resposta certa ou errada, mas sim a resposta particular de cada sujeito num dado momento e circunstância. O comportamento social é multideterminado.
"A cognição social consiste em uma operação mental, que está na base do funcionamento social, envolvendo a capacidade humana de perceber a intenção e a disposição do outro em um determinado contexto. Isto inclui as habilidades nas áreas da percepção social, atribuição e empatia e reflete a influência do contexto social." (Penn et al, 1997; Couture et al, 2006; apud Monteiro e Neto, 2010)
Existem dois processos cuja interação é de fundamental importância para a cognição social, são estes:
- Sistema Reflexivo/Sistema de Processamento automático
Esse tipo de processamento não exige muito esforço; a avaliação é automática, estando fora do campo da consciência. É relativamente rápida e de difícil regulação e controle, não sendo modulada pela atenção. O processamento se dá de forma paralela e é esteriotipado, ou seja, envolve tarefas familiares e já praticadas. Muitas vezes envolve emoções, esses comportamentos ocorrem sem deliberação reflexiva.
- Sistema Refletivo/Sistema de Processsmanto controlado, voluntário
Este é um tipo de processamento intencional, voluntário ou envolve esforço, ocorrendo dentro do campo da consciência. É relativamente lento e acessível à regulação, demandando recursos atencionais. O processamento se dá em série, a informação é processada passo a passo e permite lidar com tarefas novas e difíceis. Esse processamento surge tardiamente na evolução e no desenvolvimento, muitas vezes envolvendo linguagem declarativa e baseando-se no raciocínio, no pensamento reflexivo, na análise semântica, sintese e abstração. Esse sistema é importante por sua capacidade de atribuir significados e interpretar informações novas e complexas.
Modelo Conceitual de Cognição Social:
Segundo Couture e colaboradores (2006), a cognição social apresenta 4 componentes:
1)Percepção Emocional: Capacidade de inferir informação emocional a parrir das expressões emocionais, das inflexões vocais e/ou da prosódia.
2)Percepção Social: Capacidade de extrair certas pistas do comportamento manifesto dentro de um determinado contexto social, além da capacidade de compreensão das regras e das convenções sociais.
3)Teoria da Mente: Capacidade de compreender que os demais possuem estados mentais diferentes dos nossos e de fazer inferências relativas aos conteúdos desses estados mentais.
4)Estilo de Atribuição: Tendência característica de explicar as causas dos acontecimentos na própria vida. Capacidade de dar significado para os acontecimentos da vida.
Esse modelo, o Modelo Conceitual de Cognição Social, tem sido utilizado para investigar o funcionamento relacionado à competência social, através de escalas de funcionamento e habilidades sociais, teste de reconhecimento de faces e provas sobre Teoria da Mente, assim como é usado também para investigar as estruturas envolvidas nesse funcionamento, através de neuroimagem.
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 14 - Cognição Social.
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Neurocognição: Aplica-se às funções cognitivas básicas (atenção, memória, funções executivas). Estuda cada uma dessas funções individualmente porque elas utilizam sistemas de processamento semi-independentes.
Já a Cognição Social: Aplica-se ao estudo da adequação do comportamento ao ambiente. Refere-se, portanto, à habilidade de identificação, manipulação e adequação do comportamento de acordo com informações socialmente relevantes detectadas e processadas em determinado contexto ambiental. Em poucas palavras, a cognição social modula o comportamento.
O saber acerca da cognição social foi sendo construída a partir de estudos com animais, destacando-se os experimentos relacionados à competição por comida, estratégias de proteção e respostas adaptativas ao meio.
Os comportamentos mais complexos foram sendo desenvolvidos na espécie humana a medida que o grau de exigência de resposta ao meio foi aumentando.
Comportamentos humanos de cooperação e altruísmo foram fatores cruciais para a convivência em grupo. (Adolphs, 2001; Emery e Clayton, 2009; apud Monteiro e Neto, 2010)
Alguns quadros clínicos caracterizam-se por uma maior disfunção social, por em certo déficit nisto que chamamos, cognição social. É o que observamos, por exemplo, em casos de esquizofrenia, autismo, transtorno bipolar, psicopatia, entre outros. É importante compreender os mecanismos envolvidos nessa "falha do funcionamento social", pois é a partir da compreensão desses déficits cognitivos que podemos pensar em estratégias terapêuticas que beneficiem o paciente em sua interação com o meio.
Algumas diferenças são traçadas entre neurocognição e cognição social em termos de dos estímulos utilizados em pesquisas, o tipo de resposta esperada do sujeito e a forma de avaliação deste. Porém, o que me parece de crucial importância nessa diferenciação, é saber que, numa avaliação de aspectos como memória, resposta executiva ou atenção, por exemplo, esperamos uma resposta precisa e mensurável (neurocognição); já nos estudos de cognição social, é possível apenas verificar diferenças entre os sujeitos, apreender aspectos de sua personalidade. Numa avaliação de desempenho da cognição social não há resposta certa ou errada, mas sim a resposta particular de cada sujeito num dado momento e circunstância. O comportamento social é multideterminado.
"A cognição social consiste em uma operação mental, que está na base do funcionamento social, envolvendo a capacidade humana de perceber a intenção e a disposição do outro em um determinado contexto. Isto inclui as habilidades nas áreas da percepção social, atribuição e empatia e reflete a influência do contexto social." (Penn et al, 1997; Couture et al, 2006; apud Monteiro e Neto, 2010)
Existem dois processos cuja interação é de fundamental importância para a cognição social, são estes:
- Sistema Reflexivo/Sistema de Processamento automático
Esse tipo de processamento não exige muito esforço; a avaliação é automática, estando fora do campo da consciência. É relativamente rápida e de difícil regulação e controle, não sendo modulada pela atenção. O processamento se dá de forma paralela e é esteriotipado, ou seja, envolve tarefas familiares e já praticadas. Muitas vezes envolve emoções, esses comportamentos ocorrem sem deliberação reflexiva.
- Sistema Refletivo/Sistema de Processsmanto controlado, voluntário
Este é um tipo de processamento intencional, voluntário ou envolve esforço, ocorrendo dentro do campo da consciência. É relativamente lento e acessível à regulação, demandando recursos atencionais. O processamento se dá em série, a informação é processada passo a passo e permite lidar com tarefas novas e difíceis. Esse processamento surge tardiamente na evolução e no desenvolvimento, muitas vezes envolvendo linguagem declarativa e baseando-se no raciocínio, no pensamento reflexivo, na análise semântica, sintese e abstração. Esse sistema é importante por sua capacidade de atribuir significados e interpretar informações novas e complexas.
Modelo Conceitual de Cognição Social:
Segundo Couture e colaboradores (2006), a cognição social apresenta 4 componentes:
1)Percepção Emocional: Capacidade de inferir informação emocional a parrir das expressões emocionais, das inflexões vocais e/ou da prosódia.
2)Percepção Social: Capacidade de extrair certas pistas do comportamento manifesto dentro de um determinado contexto social, além da capacidade de compreensão das regras e das convenções sociais.
3)Teoria da Mente: Capacidade de compreender que os demais possuem estados mentais diferentes dos nossos e de fazer inferências relativas aos conteúdos desses estados mentais.
4)Estilo de Atribuição: Tendência característica de explicar as causas dos acontecimentos na própria vida. Capacidade de dar significado para os acontecimentos da vida.
Esse modelo, o Modelo Conceitual de Cognição Social, tem sido utilizado para investigar o funcionamento relacionado à competência social, através de escalas de funcionamento e habilidades sociais, teste de reconhecimento de faces e provas sobre Teoria da Mente, assim como é usado também para investigar as estruturas envolvidas nesse funcionamento, através de neuroimagem.
BIBLIOGRAFIA:Diniz-Malloy LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N e col - Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010; Cap. 14 - Cognição Social.
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Jéssica Calderon - CRP: 05/39344
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Meus escritos...

Vida, Arte e Vazio.
O vazio é um convite a criação.
Assim como a vida e a arte também o são.
O espectador espera que o artista preencha os espaços vazios.
Mas ele não o faz.
O artista convida o espectador à reflexão.
Ele reproduz na tela o nada - dimensão do próprio existir.
Não cabe ao artista dizer quais são as cores e formas.
Mas sim, cabe ao espectador, escolher o que ver.
Jéssica Calderon.
21/03/2010
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terça-feira, fevereiro 01, 2011
NOVA VERSÃO - Psicoterapia de Grupo (Idosos e Mulheres)
(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA MAIOR!)
PSICOTERAPIA DE GRUPO
Para Idosos
Público Alvo:
Pessoas a partir de 60 anos
Sessões semanais - 1 hora e meia de duração.
Local: Botafogo.
Para Mulheres
Público Alvo: Pessoas a partir de 18 anos.
Sessões semanais - 1 hora e meia de duração.
Local: Copacabana.
Objetivos:
Oferecer atendimento aqueles que buscam um espaço amoroso e seguro para o autoconhecimento.
Auxiliar na construção de recursos internos que ajudem a lidar com as próprias emoções.
Propiciar maior qualidade de vida.
Profissionais:
* Jéssica Calderon Paixão CRP: 05/39344
Psicóloga, formada pela UFRJ.
Especializanda - Psicogeriatria, IPUB/UFRJ
* Mary S. Fridman Markewitz CRP: 05/39351
Psicóloga, formada pela UFRJ.
Especializanda - Arteterapia e Psicologia Médica (HUPE/UERJ)
Informações/Inscrições:
Jéssica (8336-5220) ou Mary (9378-0761)
http://psicoterapia-grupo.blogspot.com/
PREÇO: 50,00 (por encontro)
segunda-feira, janeiro 17, 2011
A Gestalt-terapia como abordagem terapêutica

Gestalt-terapia: Uma abordagem fenomenológica - humanista existencial
A Gestalt-terapia, por ser uma abordagem existencial*, acredita no potencial humano, crê que as pessoas podem encontrar seu caminho na vida e assumir sua responsabilidade por esta. A maturidade nada mais é do que a responsabilidade pela própria vida e é exatamente neste sentido que esta abordagem trabalha, ajudando as pessoas a tornarem-se mais maduras emocionalmente a partir de uma maior conscientização a respeito de si mesmas.
Um dos objetivos centrais nesta terapia é mostrar ao cliente um caminho de maior autonomia e independência, baseando-se no autosuporte, contando com seus recursos internos.
A influência do Humanismo* se faz presente pela crença no potencial humano de crescimento e auto-transformção. Segundo Frederick Perls*, fundador da Gestalt-terapia, o ser humano tende a repetir padrões esteriotipados. A terapia vem para romper as esteriotipias e abrir caminho para mil novas possibilidades do ser.
Essa abordagem NÃO trabalha para o ajustamento do sujeito à sociedade. Pelo contrário, quer promover sujeitos autênticos; e, para que isso seja possível, o terapeuta também deve ser uma pessoa autêntica. Nesse terreno não se pode falar em neutralidade por parte do terapeuta, pois este deve usar-se inteiramente a serviço do processo terapêutico do cliente, compartilhando com ele experiências, sensações e emoções que afloram nessa relação. Essa relação pessoa-a-pessoa é preconizada por sua base existencialista.
A Gestalt-terapia é também criada com influências da fenomenologia*, por isso fica com o que se mostra, o fenômeno, com o que parece óbvio (mas mesmo assim temos, muitas das vezes, dificuldade de enxergar. Dentre os fenômenos a serem observados é de particular importância estar atento à linguagem corporal do cliente, porque o não-verbal revela mais do que as palavras previamente pensadas. É uma abordagem de elementos da consciência. A conscientização é a tarefa principal do terapeuta, pois é isto que gerará espontaneamente a mudança.
Aqui propõe-se que as pessoas possam vivenciar plenamente seu "aqui-e-agora" e que possam se dar conta de como fazem para não estar pleno no momento presente. Para ajudar o cliente nesta tarefa o terapeuta faz perguntas do tipo: "o que?" e "como?", raramente pergunta "por que?".
Segundo esta teoria, perguntas do tipo: "O que está acontecendo neste momento?", "O que você está sentindo agora?", "Como é seu medo agora?", "De que maneira você se afasta das pessoas?", por ex., ajudam a trazer os sentimentos à tona no momento atual, produzindo experiências imediatas e não frias racionalizações. Não espera-se uma verbalização excessiva.
Valorizar o presente não é negar o passado ou o futuro. Se uma questão do passado continua demandando energia faz parte de uma "passado-presente". Se uma pré-ocupuação a respeito de algo futuro toma nossos pensamentos no momento atual, é porque é um "futuro-presente". Tudo isto é importante, é visto e não rechaçado. A técnica utilizada aqui é orientar aos pacientes que contem desse passado ou futuro no momento presente, como se estivessem vivenciando a situação naquele exato momento. Por exemplo: Ao invés de falar sobre um trauma infantil, o cliente pode ser incentivado a dramatizar essa situação no consultório. Espera-se que assim, com a ajuda do terapeuta e estando num ambiente seguro, ele possa dar novos significados e criar novas saídas pra essa história.
É uma abordagem não-interpretativa pela parte do terapeuta; cabe ao cliente criar seus próprios significados.
Na GT trabalha-se com o conceito de polaridades, dicotomias existentes dentro do eu. Por ex: anjinho X demônio; passivo X ativo; doador X usurpador, etc. O objetivo é ajudar às pessoas a reconhecerem e aceitarem seus pólos opostos, fortalecendo assim seu self.
O conceito de situações inacabadas diz respeito a sentimentos e sensações interrompidas, não vivenciadas plenamente pelo sujeito, que, por isto, roubam energia enquanto não atingem sua plena expressão. É preciso identificar as situações na história da pessoa que não estão plenamente encerradas e trabalhar para que um desfecho (real e/ou emocional) se dê. Isto ajuda a pessoa a viver de forma mais plena. Por ex: Uma mulher que carregue consigo uma mágoa em relação ao pai, mas precise cuidar dele neste momento, pode ser que não se dê conta de seu sentimento. Porém, enquanto não puder perceber, aceitar e integrar tal sentimento em sua relação com ele, talvez nunca consiga ser de fato uma boa cuidadora.
Mini-dicionário:
Existencialismo: É uma corrente filosófica e literária que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade do ser humano. O existencialismo considera cada homem como um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino.
Fenomenologia: É, em sentido lato, uma escola filosófica fundada por Edmund Husserl. Num sentido mais estrito, é uma disciplina da filosofia que estuda os objectos e as estruturas da consciência purificada ou transcendental, i.e., da consciência cognitiva. Trata-se, portanto, de uma investigação sobre a consciência em geral, comum a todos os sujeitos cognitivos plenos, independentemente das características psicológicas de cada um.
Humanismo: Um conjunto de ideais e princípios que valorizam as ações humanas e valores morais (respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade, etc).
Frederick Perls: Psicólogo e psicoterapeuta alemão, Frederick Fritz Perls nasceu em 1893 e faleceu em 1970. Estudou Medicina em Berlim depois da Primeira Guerra Mundial, tendo-se especializado em psicanálise. Depois da tomada de poder de Hitler, refugia-se na África do Sul onde fundou um Instituto de Psicanálise. Em 1946 emigra para os Estados Unidos da América, vindo a sofrer uma grande influência da corrente gestaltista. Com a sua mulher Laura Perls, desenvolve uma terapia a partir dos fundamentos do Gestaltismo. Em 1951 publica o livro Gestalt Therapy, mas as suas concepções passam despercebidas. É a partir de meados da década de 60 que a Gestalterapia passa a ter aceitação. As suas concepções e princípios de trabalho influenciaram fortemente as terapias então surgidas nos Estados Unidos da América.
*Texto escrito por Jéssica Calderon.
Atendimento Psicológico - em Botafogo
Contato: jessicacalderon.psi@gmail.com
Jéssica Calderon - CRP: 05/39344
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