A gente cresce na relação com o outro.

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sexta-feira, março 21, 2014

O que é Criminologia? – (uma rápida “pincelada”)

O crime é uma forma de transgressão e, para que haja crime, é preciso haver uma regra, uma norma ou um padrão de conduta que seja violado. Toda violação à norma é sempre possível e presente desde que o mundo é mundo. Certa citação diz: “A transgressão é tão antiga quanto as normas”, ou seja, enquanto houver norma haverá transgressão. Criminologia é um conjunto de conhecimentos que se ocupa do estudo do crime, da criminalidade e suas causas, da vítima, do controle social do ato criminoso, bem como da personalidade deste e da maneira de ressocializá-lo. Considerando este campo de estudo, podemos verificar duas abordagens principais que se contrapõem – Criminologia positiva X Criminologia crítica. Vamos entender um pouco o que as define e diferencia. A Criminologia positiva tem uma abordagem naturalizante para o crime, pressupõe a existência de uma natureza criminosa que uns teriam e outros não. Cria mecanismos de “causa-efeito” e defende certa previsibilidade para a ocorrência de atos criminosos. Um grande expoente nessa linha de pensamento é Cesare Lombroso. Este autor desenvolveu a teoria denominada Antropologia Criminal, acreditava na associação de determinadas características físicas (antropométricas) à maior propensão ao crime. Não é difícil entender a fácil responsabilização única e exclusiva do próprio sujeito por seus atos ilegais. Essa corrente culpabiliza o sujeito; já fatores externos, como ambiente, relações de poder, cultura, aprendizagem e fatores sociais, não são considerados na análise destas questões. A Criminologia crítica, por sua vez, fala do crime como uma existência a partir de condições que o possibilitem. Considera os fatores externos ao sujeito na construção dessa lógica criminal. Na perspectiva crítica, fatores como relações de poder e expectativas sociais são considerados em primeiro plano para compreensão do ato criminoso. Logo, explicar o crime como uma conduta realizada por sujeitos naturalmente maus, perversos, degenerados não faz nenhum sentido. O pensamento desta corrente teórica inclui o criminoso na sociedade e não a exime de seu papel na criação da conduta criminosa. Influentes pensadores que nos ajudam a entender este tipo de abordagem são Foucault e Goffman. Aos que se interessarem, fica a dica: para entender a complexidade da questão é necessário, obviamente, um estudo mais profundo sobre o tema.

terça-feira, março 18, 2014

A questão da diminuição da maioridade penal - Uma perspectiva crítica.

A questão da diminuição da maioridade penal é um tema atual e muito controverso em nossa sociedade. Diante dos casos de envolvimento de menores de idade em atos de violência que rotineiramente são noticiados pela mídia, parece crescer entre a população um clamor por punição e justiça que, por vezes, simploriamente vem associado a uma mudança específica na legislação, a saber, a redução da idade mínima para a responsabilização penal por crimes cometidos. Em resposta a um triste episódio ocorrido em 2007, morte brutal de um menino de 6 anos após um assalto envolvendo a participação de um adolescente, o Conselho Federal de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP/RJ) divulga uma nota em solidariedade à família e se posiciona eticamente quanto à questão da tal revisão à idade mínima para responsabilização criminal de menores de 18 anos. Em texto publicado, o Conselho salienta a necessidade de políticas sociais e um real engajamento das autoridades no combate à questão: "a diminuição da maioridade penal, o aumento de penas em estabelecimentos que torturam e desumanizam seus internos, o policiamento ostensivo com o uso abusivo de armamentos e práticas violentas – como o caveirão – produzem ilusões passageiras de alívio e, mesmo, de segurança. Estas ilusões logo se desfazem (...)O CRP-05 faz um chamado a autoridades e legisladores para que, ao tomar as medidas que lhes cabem, ajam com responsabilidade e levando em consideração a complexidade da situação." Quando o tema é diminuição da maioridade penal é interessante pensar: "A quem de fato se destina essa revisão na lei?" É interessante estarmos atentos ao que comumente acontece em nosso país; diante de situações de violência cometidas por indivíduos com menos de 18 anos, enquanto o "menor" negro, pobre, jovem e da favela merece ir para prisão junto com os demais presos, o "adolescente" branco de classe média deve estar com algum "problema", vamos tentar buscar explicações nas relações familiares que justifiquem o ato ou, quem sabe, enquadrar seu caso dentro de algum possível transtorno mental ou de personalidade. Como inicialmente dito, a questão aqui tratada não é simples, nem de fácil resposta ou solução. Mas é fundamental um olhar ponderado que, para além das situações que vemos na TV, considere o problema numa perspectiva mais abrangente e crítica. Leitura recomendada: http://www.crprj.org.br/noticias/2007/0216-sobre-violencia-seguranca-e-oportunismo.html http://rsurgente.zip.net/arch2007-02-11_2007-02-17.html (texto publicado em 15.02.2007) Jéssica Calderon Psicóloga e Psicogeriatra CRP:05/39344

quinta-feira, maio 30, 2013

quinta-feira, dezembro 13, 2012

O idioma da saúde

Encontrei esse texto na internet e achei ele muito bom! Boa leitura! Em 1948, ano em que foi criada, a Organização Mundial de Saúde (OMS) formulou um conceito de saúde que até hoje é objeto de discussão: "Saúde é o mais completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade". Qualquer profissional da área – não, qualquer pessoa de bom senso – assinaria embaixo. Qual, então, o motivo da controvérsia? Resposta: a excessiva abrangência do conceito, que o torna pouco prático, pouco operacional. Serviria antes como definição de felicidade, dizem os céticos. Não sem alguma razão. Doença é uma coisa relativamente fácil de definir: há critérios diagnósticos para um grande número de enfermidades, estabelecidos pela própria OMS e freqüentemente apoiados em parâmetros numéricos, como temperatura corporal, medida de tensão arterial, dosagens sanguíneas. Agora: que exame de sangue nos revela o grau de bem-estar? Trata-se de uma avaliação inevitavelmente subjetiva. Nelson Rodrigues falava com desprezo dos "idiotas da objetividade", mas ao fim e ao cabo são estes que fornecem os elementos para o processo decisório. Não por outra razão a saúde pública recorre a indicadores numéricos para o planejamento e a avaliação de suas atividades. Paradoxalmente, esses indicadores referem-se à mortalidade – mortalidade infantil, mortalidade materna, mortalidade por causas específicas – ou à morbidade, isto é, doenças. Só raramente tratam da saúde propriamente dita. Há outro aspecto. A doença fala: ela nos faz gemer, gritar. A doença tem voz, a voz de uma experiência física – e existencial – intensa, motivo pelo qual serviu, e serve, de tema para escritores: a tuberculose em A Montanha Mágica, de Thomas Mann, a afasia em De Profundis: Valsa Lenta, de José Cardoso Pires, a depressão em A Escuridão Visível, de William Styron, a Aids em Ao Amigo que Não Me Salvou a Vida, de Hervé Guibert, são apenas alguns exemplos. Raymond Carver, enfermo, conseguiu mesmo antecipar a morte – em uma dilacerante mensagem a seus amigos: "I'll be wired every whichway/ in a hospital bed./ Tubes running into/ my nose. But try not to be scared of me, friends./ I'm telling you right now that this is okay". ("Estarei com fios por todos os lados/ em um leito de hospital./ Tubos entrando/ em minhas narinas. Mas tentem não se assustar, amigos./ Digo-lhes, neste instante, que está tudo bem.") Agora: ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos – uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente? Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra "saúde", que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. "É o mais tolo vocábulo em nosso idioma", disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde. Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de "salto de qualidade" e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes a voz da saúde é a voz do corpo grato. Ex-fumantes falam da sensação de bem-estar que acompanha o abandono do tabaco: melhora o apetite, melhora a capacidade física. Igualmente gratificante é a adoção de uma dieta saudável. Como é que a gente aprende o idioma da saúde? Esse é um processo que compreende cinco etapas. A primeira é a da informação: ficamos sabendo, por exemplo, que o tabaco causa câncer de pulmão. Informação hoje não falta, mas ela não é suficiente; pode ser neutralizada por um processo chamado dissonância cognitiva, pelo qual negamos aquilo que contraria o que estamos fazendo: não, o fumo não é tão ruim assim, conheço fumantes que chegaram aos 90 anos (um mecanismo de defesa que a indústria do tabaco reforça à exaustão). Admitida a informação, é preciso adotar uma atitude positiva, a disposição de mudar – e, em seguida, colocá-la na prática: saúde é comportamento. Mas esse comportamento não pode ser esporádico – o frenético esportista de fim de semana –, ele precisa transformar-se em hábito. E esse hábito, finalmente, deve ser incorporado pela comunidade, quando então estará constituída uma cultura da saúde, situação ideal. É o momento em que a comunidade dialoga com a pessoa e a pessoa dialoga com seu corpo – no idioma da saúde. Podemos até chamar a isso de felicidade, tanto faz. Nessa fase, à qual um dia chegaremos, a vida será mais importante que os conceitos. MOACYR SCLIAR é médico e escritor, autor de A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura

sexta-feira, outubro 12, 2012

Decreto nº 7508/2011

Esse vídeo explica de forma bastante clara o que é o Decreto 7.508/2011 que regulamento a principal lei da saúde pública brasileira, Lei 8080/90.

Vale a pena assistir!

OBS: Piraí é minha cidade natal!!  Que orgulho de vê-la aqui! rs





Jéssica Calderon.
Psicóloga e Psicogeriatra.
Atendimento em Consultório (Copacabana) e em domicílio.
CRP: 05/39344

domingo, outubro 07, 2012

Conceitos e Ferramentas da Epidemiologia - Conceitos de Epidemiologia

Estudando para concursos na área de Saúde.
O QUE É ESSA TAL EPIDEMIOLOGIA? - parte I





Jéssica Calderon.
Psicóloga e Psicogeriatra.
CRP: 05/39344.

Conceitos e Ferramentas da Epidemiologia - Indicadores de Saúde

Estudando para concursos na área de Saúde.
O QUE ESSA TAL EPIDEMIOLOGIA? - parte II





Jéssica Calderon.
Psicóloga e Psicogeriatra.
CRP: 05/39344